A história da Harman Kardon

A história da Harman Kardon é, em grande parte, a história de Sidney Harman.Harman, nasceu em Montreal em1918 e cresceu na Cidade de Nova York. Desde cedo, elemostrou uma aptidão para os negócios. Na adolescência, ele colecionava revistas recém-publicadas, e falava com os varejistas locais sobre vender as publicações usadas, mas aindainteressantes por apenas uma moeda cada e dividir com eles o resultado. Segundo seulivro de memórias Mind Your Own Business, Harman afirmou: “aquele pequeno negócio meajudou a financiar meus estudos no ensino médio e pagou meus livros da faculdade”.Além desse, Harman tinha outro talento: a ciência. Na Universidade da Cidade de NovaYork, ele se formou em Física. Em 1939, depois de concluir sua educação, ele arrumou umemprego no departamento de engenharia da empresa David Bogen, uma firma que faziasistemas de alto-falantes. Ele e seu chefe, o engenheiro-chefe Bernard Kardon, rapidamentese tornaram amigos.Harman logo passou de engenharia para vendas e descobriu que gostava do assunto. Emvendas, ele percebeu a importância de prestar atenção nos clientes. Harman afirma emseu livro de memórias: “até o dia de hoje, mais de meio século mais tarde, posso dizer quenenhum produto valioso e duradouro jamais surgiu da mera contemplação no escritório. “Nãoconheço nenhum substituto para as foto, para a atenção ao que o cliente tem a dizer, para aidentificação e a resposta à real necessidade.Ele respondia às necessidades dos clientes com inovação. No começo da década de 1950,Harman e Kardon queriam que Bogen os deixasse simplificar os controles dos sistemas dealto-falantes da empresa. Além disso, depois de personalizar os alto-falantes Bogen paratocar gravações nas próprias casas e perceberem o quanto os convidados adoravam o somdos aparelhos, Harman e Kardon queriam que Bogen fabricasse aparelhos semelhantespara o público. Bogen concordou com as propostas de Harman e Kardon — mas muitorelutantemente.Embora Harman tivesse subido para o cargo de gerente geral, ele não estava contente. Ovelho Bogen, além de irritá-lo com o seu jeito conservador, planejava deixar a empresa paraseu filho e seu genro. Harman percebeu que ele nunca conseguiria administrar a empresacomo gostaria.Em 1953, Harman pediu demissão e levou Kardon com ele.

O nascimento da Harman Kardon

Cada um entrou com US$ 5 mil para formar uma nova empresa, a Harman Kardon, parafabricar aparelhos de alta fidelidade para tocar música em casa.O repórter William Holstein, do New York Times, escreveu cinquenta anos mais tarde umartigo sobre Harman dizendo que “na época, o critério convencional era que, para escutarmúsica do rádio, você precisava de um sintonizador para captar sinais de rádio, de um pré-amplificador, um amplificador de potência e alto-falantes”. Em vez disso, Harman e Kardoncombinaram diversos componentes numa unidade fácil de usar que eles chamavam dereceptor.Concebido num compartimento atraente que mais parecia uma mobília de luxo que umcomplexo eletrônico, o receptor — modelo Festival D1000 — foi um grande sucesso. Elefoi especialmente popular entre os jovens. Harman se lembra em sua autobiografia que “oscampus universitários eram o berço de uma geração que adorava música e que sentia que amelhor maneira de ouvi-la era no alojamento e com o nosso equipamento”.Em 1956, o investimento inicial de US$ 10 mil de Harman e Kardon valia US$ 600 mil, eKardon queria se aposentar. Harman comprou a parte de Kardon na empresa e continuoutrabalhando.Dois anos mais tarde, a Harman Kardon produziu o Festival TA230, o primeiro receptorestéreo do mundo. O som de alta qualidade que parecia estar em volta do ouvinte, e nãoapenas à frente dele, estava finalmente disponível para o grande público. E o grande públicoadorou.

Crescimento e dor

A Harman Kardon continuou a criar produtos populares. Começando no final da década de1950, por exemplo, a série de amplificadores Citation e outros componentes traziam para osconsumidores alguns dos equipamentos de tecnologia de áudio mais avançada — hoje emdia, os aparelhos Citation são itens de colecionador entre os aficionados.No começo dos anos 1960, Harman era um homem feliz. Em 1962, ele promoveu a fusãoconfidencial da Harman Kardon com a empresa de TV a cabo Jerrold Corporation. Logodepois, ele não estava mais feliz.Harman achava que Milton Shapp, chefe da Jerrold, interferia muito no trabalho da Harman.Depois de uma série de discussões, Shapp comprou a parte de Harman na empresa.Harman tinha então uma pilha de dinheiro, mas foi cortado da empresa que ele próprioconstruíra. Pior que isso: o homem constantemente produtivo se viu subitamente sem nadapara fazer.Harman podia estar por baixo, mas não desistiu: pegou uma parte do dinheiro da venda einvestiu num pequeno conglomerado, a Jervis Corporation. Ele assumiu a empresa e usousua influência financeira para comprar de volta a Harman Kardon. Ele também adquiriuoutras empresas de áudio, como a prestigiada JBL e acabou rebatizando todo o grupo deempresas para Harman International Industries, Incorporated.Enquanto isso, a Harman Kardon continuava a buscar novas tecnologias. No final dos anos1960, a empresa começou a trabalhar com uma nova firma de alta tecnologia com ideiasavançadas sobre redução de ruído de áudio. O nome dela era Dolby Laboratories. Osprodutos da Harman Kardon continuam a apresentar equipamento Dolby.Assim que os anos 1960 se tornaram os anos 1970, a Harman Kardon ficou maior e maisrentável. Harman atribuía o sucesso da Harman Kardon e suas outras empresas a uma novamaneira de gerenciamento. Em vez de simplesmente dar ordens, como os executivos deoutras empresas estavam acostumados a fazer, de acordo com a revista Music Trades em1988, Harman encorajava seus gerentes a “respeitar as pessoas que faziam o trabalho, a vê-las como um grande recurso não utilizado”. Ele achava, por exemplo, que os trabalhadoresque fabricavam os amplificadores e alto-falantes podiam contribuir com idéias práticas einteligentes para melhorar o processo de fabricação.A abordagem de Harman funcionou. Por volta da metade da década de 1970, a HarmanKardon era líder em áudio ao consumidor nos Estados Unidos.

Partida e chegada

Em 1976, Jimmy Carter — candidato apoiado por Harman — se tornou presidente dosEstados Unidos. E mais: ele pediu que Harman se juntasse à sua administração comoSubsecretário de Comércio.Para entrar no governo, Harman teve de abrir mão de todos os trabalhos e participações quepudessem se tornar um conflito de interesses. Pela segunda vez, ele vendeu a empresa.Quem comprou foi a Beatrice Foods, um grande conglomerado que incluía muitos produtosalém de alimentos, e o preço chegou a cerca de US$ 100 milhões.Os executivos da Beatrice pareciam não saber como administrar o negócio de áudio. SidneyHarman viu seu filho entrar em declínio e não gostou do que viu. Nos anos 1980, a HarmanInternational perdeu cerca de 40% de seus ativos.No final da administração Carter, Sidney Harman deixou o governo e estava determinado aconseguir sua empresa de volta. Ele comprou novamente a Harman International da Beatricepor US$ 55 milhões.No entanto, ele não conseguiu a Harman Kardon. No final dos anos 1970, a Beatrice vendeua empresa a uma firma japonesa.Cinco anos se passariam até que Harman pudesse fazer a Harman Kardon voltar para aHarman International. Por fim, em 1985, ele conseguiu comprar de volta a Harman Kardon. Ocarro-chefe de suas empresas estava novamente em suas mãos.

De volta à vida

A volta da Harman Kardon para as mãos de seu criador não fez dela um sucessoflorescente. Nos anos 1990, a Harman Kardon estava passando por problemas. A empresaainda fazia produtos excelentes, mas não era mais a líder do setor em novas tecnologias. Omundo do áudio não se tratava mais de alta-fidelidade e estéreo, mas de CDs, MP3, DAT eoutras tantas tecnicidades.


Harman e seus executivos e engenheiros entraram em ação. Em 1999, por exemplo, aHarman Kardon apresentou o CDR 2, o primeiro gravador de CD do mundo com velocidade4x, permitindo que fãs de música acumulassem mais sons e canções rapidamente, semperda da qualidade de áudio. Também naquele ano, a empresa produziu os alto-falantespara computador SoundSticks®, uma combinação de ciência e escultura, com tanta belezaque o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque os adicionou à sua coleção de design. Em2000, a Harman Kardon, em parceria com a Microsoft, desenvolveu um controle remoto dealta tecnologia para computadores. Outro controle remoto avançado surgiu no ano seguinte,quando o EzSet™, patenteado da Harman Kardon, permitiu que os proprietários de sistemasde áudio de vários canais calibrassem seus alto-falantes automaticamente para um somsurround inigualável.Depois dessas, vieram outras invenções. Em 2003, no 50.º aniversário da empresa, aHarman Kardon estava forte novamente.


Passando a tocha

Sidney Harman continuou a administrar a Harman Kardon e suas outras empresas.Mesmo assim, ele percebeu que não o faria para sempre. Em maio de 2007, quando elese aproximava de seus 88 anos de idade, a Harman recrutou Dinesh Paliwal como diretorexecutivo da Harman International.Paliwal, engenheiro graduado pelo Instituto Indiano de Tecnologia e pela Miami University ofOhio, chegou à Harman International da presidência da ABB Ltd., líder global em tecnologiade automação e energia. Cerca de um ano depois, ele sucedeu Harman como presidente daempresa.Os engenheiros, executivos e outros funcionários da Harman Kardon observaram essasmudanças com grande interesse, mas nenhuma das mudanças os distraíram de suapreocupação de sempre: fazer ótimos produtos de áudio. Em 2007, por exemplo, o ChicagoAthenaeum: Museum of Architecture and Design deu seu prêmio de Good Design™ parao centro de mídia digital DMC 100 da Harman Kardon. Em 2008, a prestigiada revistaElectronic House conferiu a honra de Produto do Ano para o receptor de áudio/vídeo AVR354 da Harman Kardon.O que aguarda a Harman Kardon? Mais do mesmo — e, se isso parece tedioso, considereque, na Harman Kardon, “mais do mesmo” significa mais inovação, mais atenção àsnecessidades dos seus clientes e mais som excelente. Esses são os princípios com os quaisSidney Harman iniciou a empresa. E são esses os princípios que a orientam até hoje.